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sábado 13 de março de 2021 às 11:19h

Cerca de 140 pessoas contraíram o vírus depois de vacinadas na Ilha da Madeira em Portugal

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“Mesmo com a vacina, que é altamente eficaz, neste momento, aqui na Madeira, houve pessoas que já estavam vacinadas e adquiriram a doença, algumas delas com alguma gravidade”, disse o diretor clínico do Sesaram, José Júlio Nóbrega, quando o arquipélago assinala um ano de pandemia.

De acordo com os dados mais recentes, 132 pessoas foram infetadas após a toma da primeira dose e sete após a segunda dose, sendo que o último boletim de vacinação da Direção Regional de Saúde, de 08 de março, reporta a administração de um total de 27.853 vacinas contra a covid-19 desde 31 de dezembro de 2020.

“Mesmo nas pessoas vacinadas, as medidas continuam sempre as mesmas: uso de máscara, distanciamento físico, lavagens das mãos. É a melhor coisa que podemos fazer para evitar a doença”, disse José Júlio Nóbrega.

Segundo o Notícias ao Minuto, o primeiro caso de covid-19 na Região Autônoma da Madeira foi sinalizado em 16 de março de 2020, tratando-se de uma turista holandesa que tinha desembarcado na ilha quatro dias antes e, por isso, não foi abrangida pela quarenta obrigatória decretada pelo Governo regional a partir de 15 de março.

Cerca de um ano depois, o arquipélago regista 7.805 casos confirmados de covid-19, dos quais 708 estão ativos, e 67 óbitos associados à doença. Nesse período, mais de 600 utentes foram hospitalizados, 70 deles passaram por cuidados intensivos.

“Para abordar estas pessoas na fase pós-covid-19, criou-se uma consulta multidisciplinar de apoio”, explicou José Júlio Nóbrega, vincando que muitos dos infetados desenvolvem sequelas e necessitam de acompanhamento médico.

diretor clínico do Sesaram disse que a consulta pós-covid-19 ainda não está a funcionar na plenitude, até porque a situação continua a ser de pandemia, mas assegurou que todas as pessoas que estiveram hospitalizadas serão contactadas.

Entre os 7.805 casos confirmados de infeção na Madeira, contam-se vários profissionais de saúde, como a enfermeira Barbara Freitas, 28 anos, que contraiu o vírus em contexto familiar.

“Senti cefaleias, o corpo um bocado pesado, tive febre, rouquidão – uma sintomatologia gripal – e perdi o olfato“, contou, indicando que a situação não foi grave e que tratou a doença “apenas com paracetamol“.

Mais preocupante foi o caso do médico Rui Silva, 66 anos, que esteve internado.

“Eu sou asmático. Os grandes sintomas que eu tive foram de agravamento da asma e de dificuldade em controlar a asma, daí esse internamento”, afirmou, salientando a importância da consulta pós-covid-19, uma vez que ocorrem com frequência “alterações que passam despercebidas”, mas podem ter alguma gravidade.

“Faz sentido recomendar que pessoas que tiveram sintomas devam ser estudadas e faz todo o sentido que qualquer pessoa que esteve infetada tenha uma conversa com o seu médico assistente”, disse.

Outro caso, é o da médica Carmo Caldeira, 59 anos, que contraiu o vírus apesar de já estar vacinada.

“O que interessa é as pessoas terem consciência da doença, terem consciência da transmissibilidade da doença e quebrar as cadeias de transmissão”, explicou, reforçando: “Temos de ter essa consciência social e humanitária, ter a humildade de, a partir do momento que sabemos que poderemos estar infetadosisolarmo-nos. Foi o que eu fiz.”

Carmo Caldeira alerta também para a necessidade de as pessoas infetadas manterem a calma e procurarem apoio, não apenas médico, como de familiares e amigos.

Foi o que fez o psicólogo Paulo Manica, 46 anos, que contraiu SARSCoV-2 em contexto laboral, juntamente com três colegas.

“Tínhamos muito cuidado, sempre de máscara, janelas abertas, poucas pessoas por sala, horários desfasados. Mesmo assim contaminámo-nos”, contou, explicando que, depois, não transmitiu a doença a mais ninguém, nem aos filhos, nem à mulher, nem aos pais, nem aos sogros.

“A minha preocupação era não passar para os outros”, sublinhou.

Paulo Manica desenvolveu alguns sintomas – dores de cabeça e no corpo, cansaço, diarreia – e tratou-os com paracetamol.

“Uma vez positivo, foi colocar mãos à obra e olhar em termos práticos o que era preciso fazer, o que passou por isolar-me num quarto”, disse, sublinhando que procurou sempre evitar a “ansiedade” durante os 14 dias de isolamento.

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