quinta-feira 13 de agosto de 2020
Nova análise revela aspectos da evolução do Sars-CoV-2. À esquerda, a proteína spike do coronavírus que atinge morcegos; à direita a proteína spike do Sars-Cov-2 (Foto: Francis Crick Institute/Nature)
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sexta-feira 10 de julho de 2020 às 09:16h

Estudo aponta como evolução tornou proteína do Sars-CoV-2 mais estável

CURIOSIDADES, NOTÍCIAS


Cientistas descobriram que a proteína spike do vírus causador da Covid-19 se liga mil vezes mais firmemente às células humanas do que coronavírus presente em morcegos

Pesquisadores do Instituto Francis Crick, na Inglaterra, caracterizaram a estrutura da proteína spike (ou “de pico”) do Sars-CoV-2, bem como uma estrutura semelhante presente em um outro vírus da família coronavírus, conhecido por atingir morcegos. As descobertas foram compartilhadas nesta quinta-feira (9) na Nature Structural & Molecular Biology.

As proteínas spike são, conforme a revista Galileu, uma das principais caraterísticas do Sars-CoV-2, cobrindo a superfície do microrganismo e servindo como ferramenta para entrar em células humanas. Por isso, a análise dessas estruturas é essencial se quisermos compreender a evolução do novo coronavírus e desenvolver uma vacina contra ele.

O estudo

Os pesquisadores analisaram a proteína usando uma técnica chamada microscopia crioeletrônica, capaz de entregar um nível de detalhamento maior do que o de análises anteriores. Eles, então, compararam a estrutura à proteína spike de um coronavírus de morcego, RaTG13, que é semelhante a do Sars-CoV-2.

Segundo os especialistas, embora ambas proteínas fossem mais de 97% semelhantes, algumas diferenças significativas foram observadas. A principal talvez seja uma alteração na parte da proteína spike do Sars-CoV-2 que se conecta a um receptor viral em células humanas, conhecido como ACE2. Outra variação importante foi observada na superfície que mantêm as subunidades das proteínas spike juntas.

“Alterações no genoma do vírus, que afetam a estrutura spike, têm potencial de tornar o microrganismo mais ou menos capaz de entrar na célula do hospedeiro”, explicou Antoni Wrobel, coautor e pesquisador do Laboratório de Biologia Estrutural de Processos de Doenças do Instituto Francis Crick, em declaração à imprensa. “Em algum momento da evolução desse vírus, ele parece ter sofrido mudanças, como as diferenças que encontramos, que o tornaram capaz de infectar seres humanos.”

Essas diferenças indicam que o pico do novo coronavírus é mais estável e capaz de se ligar cerca de mil vezes mais firmemente às células humanas do que o RaTG13. Com base em suas descobertas, os pesquisadores sugerem que é improvável que um microrganismo como o que afeta morcegos seja capaz de infectar humanos, corroborando a teoria de que o Sars-CoV-2 seja o resultado da “combinação” de diferentes coronavírus.

“O processo exato de como o Sars-CoV-2 evoluiu permanece incerto e é algo que muitos pesquisadores estão tentando entender”, observou o coautor Donald Benton. “Nosso trabalho fornece uma peça desse quebra-cabeça, pois sugere que o vírus não veio diretamente dos coronavírus de morcego atualmente conhecidos.”

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