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segunda-feira 12 de julho de 2021 às 12:16h

Fábio Vilas-Boas fala sobre realização do Réveillon e mais; confira entrevista

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Em entrevista publicada pelo jornal A Tarde nesta segunda-feira (12) o secretário de Saúde Fábio Vilas-Boas, considerado um dos mais bem avaliados do governo Rui Costa, disse que “não é hora de se fechar hospitais de campanha“ e que “a última coisa que a gente quer é um carnaval entre quatro paredes”, indoor.

Confira entrevista:

Fábio, foi entregue na sexta a 19ª Policlínica na Bahia. Para quem não conhece uma unidade como essa, quais os serviços disponibilizados e qual a estrutura acessível para a população?

As Policlínicas Regionais de Saúde fazem parte de um projeto que visa levar exames e consultas especializados para todo o interior do estado e para a capital. São exames e consultas que a população não tinha acesso, incluindo exames de altíssima complexidade como tomografia computadorizada e ressonância magnética, passando por exames de gastro, como colonoscopia, exames de neuro, exames cardíacos, doppler vascular, enfim. Toda uma gama de exames que só eram encontrados na capital ou nas grandes cidades. Nós dividimos o estado da Bahia em regiões de saúde e está sendo concluído esse ano o projeto de implantar uma policlínica para cada região de saúde. Uma média de 400 mil a 600 mil pessoas são atendidas em cada policlínica, oferecendo 18 especialidades médicas e virtualmente todos os exames diagnósticos necessários para um diagnóstico correto e prescrição adequada do tratamento.

Esse era um serviço que não existia. As pessoas não conseguiam fazer o diagnóstico e isso levava a um descrédito no tratamento da saúde. As policlínicas mudam a realidade comportamental no estado?

O acesso era tão restrito e limitado a hospitais e centros de referência na capital, que praticamente a população não tinha acesso. Basta dizer que na Bahia nós tínhamos, quando o governador Rui Costa assumiu, duas máquinas de ressonância magnética para o sistema público de saúde apenas, uma no Roberto Santos e outra no Hospital Ana Nery. Hoje, só nos nossos hospitais, sem contar as policlínicas, nós já temos 25 máquinas e mais 24 nas policlínicas. Ou seja, 49 máquinas de ressonância públicas servindo à população, o que é algo fenomenal. Nós temos hoje um parque de diagnóstico como poucos estados no Brasil. A Bahia durante 3 anos foi o maior comprador de equipamentos médicos no Brasil. E isso reflete na mudança de realidade, porque o médico do posto de saúde antes ficava limitada ao ato médico e a poucos exames laboratoriais, agora os profissionais da saúde passaram a ter acesso a qualquer tipo de consulta, de segunda opinião com especialistas, e a qualquer tipo de exame.

O governador Rui Costa falou sobre o desafio de interiorizar a saúde na Bahia. Como avalia a reestruturação da rede?

Em 2014 foi feito um diagnóstico de que havia um excesso na concentração de serviços assistenciais e diagnósticos na capital. E que a missão seria levar serviços para o interior, regionalizar e descentralizar. O governador Wagner já havia iniciado isso com a construção de seis hospitais regionais e coube ao governador Rui Costa alavancar fenomenalmente esse processo de regionalização. No começo foi muito difícil porque nós não tínhamos os médicos especialistas e era sempre um ciclo vicioso. Ninguém colocava o equipamento de alta complexidade porque não tinha profissional e não tinha profissional porque não havia equipamento de alta complexidade. Nós resolvemos quebrar esse ciclo colocando o equipamento, pagando para poder trazer, aproximar, captar, cativar médicos, e hoje nós temos regiões que no começo nós abrimos as policlínicas com 5 médicos e hoje tem 50.

Qual o tamanho da rede pública da saúde hoje no estado e quanto foi investido nos últimos 3 anos?

O tamanho não tem como quantificar, mas a gente pode dizer tranquilamente que, considerando apenas custeio, que é em torno de R$6 bilhões por ano, são R$18 bilhões em 3 anos. E nós temos aí um investimento acumulado nesse período em torno de R$2 bilhões entre as policlínicas e hospitais.

Você tem uma relação que mostra a construção de 36 hospitais na Bahia. Qual a importância disso para a estruturação da saúde pública?

Nós temos 10 unidades novas e nós decidimos, o governador Rui Costa decidiu que iria reformar, ampliar e modernizar todos os nossos hospitais. Em regiões onde nós já tínhamos uma estrutura hospitalar, muitas vezes essa estrutura não era 100% resolutiva. Ou seja, eu tinha lá serviços gerais de cirurgia, trauma, urgência, mas eu não tinha neurocirurgia, cirurgia cardíaca, cirurgia oncológica, procedimentos vasculares de endovascular, uma série de procedimentos que o hospital poderia fazer, tinha estrutura pra fazer, mas não fazia porque não foi vocacionado e porque não foi feito o investimento para isso. A decisão no âmbito do governo do Estado foi potencializar ao máximo os nossos hospitais, que já existiam. Então foi feito um grande investimento na aquisição de equipamentos, contratação de profissionais, quando foi necessário ampliar fisicamente as estruturas com construção de novas UTIs, novas enfermarias, novos centros cirúrgicos, nós o fizemos, e com isso nós levamos altíssima complexidade na área de cardiologia, neurologia, cirurgia vascular, oncologia, radioterapia para todas as regiões do estado da Bahia. Antes as pessoas precisavam vir de Barreiras para Salvador para fazer uma quimioterapia, uma radioterapia e voltar de ônibus por 12, 16 horas vomitando, passando mal. Hoje nós estamos para inaugurar na semana que vem o serviço de cardiologia e hemodinâmica de Barreiras e até o final do ano, até outubro, a gente inaugura a oncologia, radioterapia e quimioterapia de lá do oeste. A mesma coisa nós fizemos em Juazeiro, Irecê, Porto Seguro, Caetité, Ilhéus, vamos fazer agora em Teixeira de Freitas.

Qual o maior gargalo que você diagnostica hoje na saúde pública?

Hoje não há nenhuma dúvida que é o problema da oncohematologia. São as leucemias, linfomas, são os chamados cânceres do sangue. E nós sempre fomos dependentes do Hospital das Clínicas, aqui, do Hospital Aristides Maltez e do Hospital Santa Izabel. Esses três serviços atendiam adequadamente às necessidades, o estado nunca se propôs a montar um serviço próprio porque não havia demanda, já que esses três hospitais davam conta, e com a crise do Hospital das Clínicas e o excesso de pacientes sobre o Hospital Aristides Maltez e o Hospital Santa Izabel, isso fez com que esses serviços restringissem o acesso aos pacientes e hoje nós temos uma fila inaceitavelmente longa para pessoas que necessitam de intervenções urgentes para deter o progresso dessas leucemias que podem matar em questão de dias e semanas. Então por isso nós decidimos dentro do governo criar um serviço próprio de oncohematologia, eu já havia extinto a enfermaria de infectologia do Hospital Roberto Santos há cerca de 2 anos com o objetivo de colocar um serviço de hematologia não oncológica, e agora nossa decisão foi criar coragem e montar um serviço de oncohematologia próprio com tudo dentro do Roberto Santos aliado ao Cican e à Fundação Hemoba.

Faltam recursos para tocar a saúde pública na Bahia?

Eu não posso dizer que faltam recursos porque o governador nunca negou o aporte de recursos sempre que foi necessário. Mas a saúde é sempre deficitária, porque o recurso enviado pela União representa apenas 1/3 do que nós efetivamente gastamos na saúde e precisa ser continuamente complementado pelo governo do Estado. Mas não é apenas pedir mais dinheiro, é buscar mais eficiência em gestão, e foi o que nós fizemos desde o primeiro dia. Fazer com que se gastasse menos com a atividade meio e mais com a atividade fim, e economizar mais na gestão da máquina. Isso tem sido feito continuamente, grande parte do que podia ser feito já foi feito, mas ainda existe a possibilidade de se garantir formas mais eficazes de se fazer gestão, oferecer mais com pouco dinheiro gasto.

Nos últimos 15 meses, o foco principal foi o combate à pandemia. Que avaliação você faz hoje da crise de saúde pública e se o cenário ainda preocupa?

Eu posso fazer dois cenários. Nacionalmente e localmente. Nacionalmente o Brasil se saiu muito mal. O governo federal não soube conduzir a pandemia, atrasou o início da imunização e fez com que o Brasil fosse o campeão mundial de óbitos por COVID-19. A liderança do presidente tem sido muito negativa e isso tem impactado, já que pelo menos 1/3 da população se diz seguidora do presidente e tende a ir na direção contrária à maioria. Isso é muito ruim. Já a nível estadual, e também a nível dos municípios, eu posso dizer que nunca se viu na história da Bahia a união tão evidente entre gestores municipais entre si e com o Governo do Estado. Nós fizemos centenas de reuniões desde o começo da pandemia, às vezes 3 reuniões, cada uma com 30 prefeitos ao longo de um dia inteiro, e sempre houve, na sua imensa maioria, a compreensão deles da necessidade de contribuir, de sacrificar, de lutar contra a pressão feita pelas associações comerciais. Agora nessa fase em que a gente está saindo dessa segunda onda, a gente, quando olha para trás, vê que valeu a pena o sacrifício. A Bahia hoje é o terceiro estado com menor mortalidade do Brasil, praticamente empatado com o segundo, nós temos o sexto menor coeficiente de incidência do COVID no Brasil, ou seja, tem menos COVID aqui do que em outros estados. Não falta medicamento, não falta oxigênio, não falta hospital e ninguém morreu por falta de UTI. As pessoas tiveram acesso a um respirador em todos os locais do estado, e o grande responsável por isso é o governador Rui Costa que trouxe para si essa responsabilidade desde o começo e liderou todo esse processo.

A diminuição do contágio e de mortes por COVID-19 abre margem para pensarmos em “baixar a guarda” contra o vírus?

Abre margens, mas essa “baixa de guarda” tem que ser feita de forma muito responsável, cautelosa, paulatina, e sempre monitorando o impacto disso sobre a taxa de recontágio. Hoje nós estamos começando um processo de flexibilização pactuada com os prefeitos e vamos a cada semana ver de que forma isso está impactando. Se houver um aumento no número de casos, a gente volta atrás.

Países na Europa, por exemplo, estão voltando a fechar e endurecer as medidas por conta do agravamento da pandemia, aliado ao processo de vacinação lento por aqui… Esse cenário mantém o estado em sinal de alerta?

Mantém. Nós temos já evidencia de circulação da variante indiana no Brasil, a gente não sabe como isso vai impactar na nossa vacina, que é diferente das demais, e é por isso que eu acredito que nesse momento não é hora de se fechar hospitais de campanha. A gente pode estar aqui ou ali desativando leitos dentro de estruturas que possuem dezenas de leitos, como por exemplo o Hospital Metropolitano, o Hospital Couto Maia que tem 100, 150, 200 leitos de UTI, a gente pode ir fechando 10, 20, 30… Mas não desativar definitivamente nesse momento.

Como será o réveillon e carnaval? Teremos festas nos moldes tradicionais ou é necessário repensar?

Eu acho que o carnaval ainda é cedo para se tomar uma decisão. Réveillon eu particularmente não acredito que seja possível. Vai depender muito da velocidade da vacinação. A gente tem visto o Ministério avançar e recuar várias vezes, a gente não tem um cronograma, um calendário vacinal confiável. Talvez só 60 dias antes vamos ter condições claras de definir alguma coisa sobre o réveillon e o carnaval.

Leo Prates chegou a falar que no carnaval, por exemplo, as festas começarão a ser mais indoor do que com aglomerações nas ruas como eram até agora. Essa é uma forma de iniciar o planejamento dos eventos?

Com todo o respeito ao meu amigo Leo Prates, eu acho que ele ou não se fez entender direito ou há um equívoco de interpretação. Porque a palavra indoor significa dentro, interno. A última coisa que a gente quer é um carnaval entre quatro paredes, num salão. O contágio vai ser muito maior. Se tiver que ter carnaval, tem que ser na rua mesmo, ao ar livre, ventilado, sem camarote do lado do mar para que o vento da praia venha e espalhe, dilua o número de partículas virais. Um carnaval tem que partir desse princípio básico de ser num lugar extremamente ventilado e com poucas pessoas por metro quadrado. Jamais indoor.

O governador Rui Costa termina o mandato no próximo ano. Que marca você pretende deixar da sua passagem pela saúde e como você pretende ser lembrado pelo trabalho realizado?

A nossa bandeira é muito clara: trabalho para regionalizar e descentralizar a saúde na Bahia. Nós nos ativemos dentro dessa bandeira e continuamos trabalhando. Eu acredito que nós estamos obtendo sucesso no nosso objetivo macro. No objetivo micro, dentro da secretaria, o meu objetivo é transformar a saúde em saúde digital. Informatizar a rede, criar uma tecnologia, um ambiente de tecnologia de informação e de conhecimento que contaminasse todos os níveis da administração central da Secretaria e dos hospitais. Nós fizemos um planejamento de 4 anos, concluímos os primeiros 4 anos com a inauguração da Central Integrada de Comando e Controle da Saúde com todo aparato tecnológico. Nós tiramos a regulação de FAX e evoluímos para uma regulação 100% digital, então eu tenho no meu celular as informações de todos os pacientes em qualquer lugar no estado da Bahia. Investimos em hardware, criação de servidores, em uma sala cofre com super servidores que garantem o prontuário eletrônico, que garantem as informações do cartão do cidadão. Hoje nós temos um outro ambiente corporativo em que as pessoas trabalham em cima de plataformas digitais e somos hoje referência para o Ministério da Saúde. O Ministério da Saúde veio à Bahia já duas vezes buscar soluções para os seus problemas. Nós fomos responsáveis por convergir as três bases de dados no começo da pandemia, notificação de dados epidemiológicos; nós criamos o aplicativo que convergiu as três bases de dados e que foi a solução para integrar as informações no Brasil inteiro, desenvolvido aqui na Sesab; nós implantamos um modelo de prontuário eletrônico que o Ministério veio conhecer e hoje é referência para os hospitais federais que estão sob intervenção do Ministério no Rio de Janeiro. Nesse âmbito interno de atividade de meio, a gente pode dizer que grande parte dos ganhos, da eficiência, da gestão estão ligados a se ter números, dados. Não se pode fazer gestão sem se ter números. Você precisa ter sistemas e pessoas trabalhando para poder gerar informações. E hoje nós caminhamos bastante nisso, o que permitiu nós crescermos o número de leitos em hospitais, ampliar o custeio, ampliar fenomenalmente o número de serviços prestados sem quebrar o estado da Bahia. Se nós não tivéssemos conseguido imprimir um modelo de gestão buscando custo e eficácia dentro da Secretaria na velocidade que a gente expandiu a rede, nós teríamos sem dúvida nenhuma quebrado o Governo do Estado, quebrado a Secretaria da Fazenda. Se a gente não fez isso, foi porque nós fomos capazes de fazer o dever de casa.

Com tanto trabalho e com tanto sucesso nas ações, quais os planos futuros para Fábio Vilas-Boas? Tem planos políticos a partir do trabalho da Sesab?

Eu acho que nesse momento a gente está envolvido num problema muito maior e sobra muito pouco tempo para pensar em planejar qualquer tipo de ação pós secretaria. Quando passar a pandemia e o momento for adequado, eu vou conversar com o governador sobre eventuais incursões em outras áreas, mas não nesse momento.

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