domingo 7 de março de 2021
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terça-feira 2 de fevereiro de 2021 às 18:58h

Lancha desaparece com cinco amigos em expedição do Rio para Fortaleza; familiares clamam por ajuda das autoridades

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Cinco pessoas estavam na embarcação, que saiu do Rio de Janeiro, no sudeste do país, para Fortaleza capital do Ceará

Uma viagem que seria a realização de um sonho acabou virando um pesadelo para as famílias de cinco amigos — um gaúcho e quatro cearenses — que saíram de lancha embarcada do Rio de Janeiro para Fortaleza, no último dia 26. O grupo está desaparecido desde a madrugada do sábado (30), quando fez o último contato pedindo ajuda à Marinha do Brasil. Familiares acreditam que os tripulantes e embarcação estejam próximos à área de Vitória (ES), mas as buscas da Marinha ocorrem na circunferência do Rio de Janeiro.

A expedição foi idealizada pelo empresário gaúcho Ricardo José Kirst, que comprou a lancha O Maestro, na semana passada. O empresário, apaixonado pelo mar e pela pesca, decidiu comprar a lancha por ser mais confortável e ter mais espaço para curtir passeios náuticos com a família e amigos. Para trazer a lancha, ele chamou os amigos cearenses Domingos Savio Ribeiro (empresário), Guilherme Ambrósio de Oliveira (comandante), José Cláudio de Souza Vieira (mestre de máquina) e Wilson Martins dos Santos (pescador). Todos eles, segundo a família de Kirst, têm experiência no mar e pescam juntos.

“Essa viagem é um sonho de vida do meu irmão. Ele se preparou com os amigos para a expedição. A tripulação é capacitada, treinada e tem um grande capitão. Meu irmão nunca fez nada de imprudente, tem muitos treinamentos e é nadador. Ele chegou a enviar fotos e vídeos e a ideia era ir fazendo imagens para depois publicar na internet, num canal no YouTube”, contou Simone Marques Mello, irmã de Ricardo Kirst.

A mulher de Ricardo Kirst, Tatiane, relata que acompanhou a compra da lancha junto com o marido e que o mestre de máquinas fez toda a revisão na embarcação para poder iniciar a expedição. “Foi feita toda revisão nos motores, com peças substituídas. Foram comprados novos o rádio e o GPS”, afirma Tatiane, destacando que um dos tripulantes tinha feito o trajeto havia 40 dias.

A expedição estava prevista para durar entre 15 e 20 dias, pois o grupo iria fazer paradas para curtir trechos do percurso com gravação de imagens para serem publicadas na internet. Eles ainda chegaram a fazer alguns registros, mas logo no primeiro dia, a lancha apresentou um problema de entrada de ar em mangueiras no Rio de Janeiro, onde tiveram de ancorar para realizar o reparo.

Wilson tripulante
Wilson tem quatro netos e é próximo da família Foto: Arquivo Pessoal

“Eles não são aventureiros, são homens experientes com o mar, que amam a pesca e estavam numa expedição de lazer. Meu irmão é empresário naval e quis fazer essa travessia para ver como funcionava, pois o comandante Guilherme estava fazendo para vários empresários. Todos os cinco são muito amigos de pesca, de salvamento, são homens do mar. Acreditamos que eles estão na embarcação à deriva ou em uma ilha, mas a Marinha coloca como suposto naufrágio”, conta Simone.

Na quinta-feira (28), depois de resolvido o problema, eles seguiram viagem com destino à Vitória (ES). No entanto, na madrugada do último sábado (30), emitiram um pedido de socorro à Marinha do Brasil. Desde então, não foram localizados.

Cláudio tripulante
Cláudio é conhecido na marina onde trabalha Foto: Arquivo Pessoa

A última sinalização que a família recebeu do GPS da lancha foi próximo ao farol de São Thomé, em Campo dos Goytacazes (RJ). Mas, segundo acreditam os familiares, a lancha pode estar próxima ao Espírito Santo, levada pelas correntes marinhas.

“A sinalização que temos deles era em São Thomé no dia 29, mas eles já podem ter se encaminhado um pouco mais a Vitória porque em um dia tudo muda. Às 23h05 do dia 29, liguei para Domingos porque o celular de Ricardo estava descarregado, ele disse que Ricardo não estava bem, estava enfadado. Ele disse que o tempo estava muito feio, que molhou tudo, todas as documentações, roupas, comida e eles. Contaram também que um motor e o gerador pararam. Comentei ‘não é melhor ir até a costa para poder trazer essa lancha em terra?’ Ele disse que não tinha condições de ir à costa naquele momento, que tinham fundeado (ancorado)”, explica Tatiane.

Domingos, um dos tripulantes, tem experiência com o mar
Domingos, um dos tripulantes, tem experiência com o mar Foto: Arquivo pessoal

Às 7h do sábado, ela tentou contato novamente com o marido e a tripulação, mas não conseguiu. O GPS não emitiu mais informações da localização da embarcação. “Sai telefonando para todas as esposas dos tripulantes, montei um plano. Às 20h do sábado comecei as ligações para Marinha, Corpo de Bombeiros, capitanias dos portos do Rio de Janeiro e de Vitória, esta última falou que está fora da jurisdição. Não concordamos, precisamos de ajuda de Vitória porque como estava em destino a Vitória, eles podem estar na área”, reforça Tatiana.

A família do empresário destaca que todos os cinco tripulantes têm experiência com viagens náuticas e se prepararam para a expedição. Tanto Tatiane quanto Simone reclamam da falta de informações da Marinha do Brasil e da área que está sendo rastreada pelos militares.

Ricardo tripulante
Ricardo, empresário, é o dono da embarcação Foto: Arquivo Pessoal

“Eu sei que cada um deles está lutando para sobreviver, convivi com esse momento, da preparação à saída da lancha. Eles nadam, andam de bicicleta, são preparados fisicamente e têm experiência com o mar, não são aventureiros. Eles são conhecedores. Dei o endereço da casa deles, que é a marcação do GPS da embarcação, mas as buscas não ocorrem nesta área e há muita falta de informação”, reclama Tatiane.

“Estamos pedindo em nome das famílias, eu falando em nome de meu irmão, para que toda a população e comunidade pesqueira ajude, mas principalmente precisamos da ação da capitania dos portos de Vitória. Eles podem estar numa ilha. A embarcação pode estar à deriva como lancha embarcada, parada. Pedimos que haja outros tipos de buscas, com pescadores, rebocadores, apoio terrestre, da comunidade pesqueira e da capitania dos portos em Vitória. Eles se dedicaram uma vida e estavam na viagem dos sonhos”, completa Simone.

Carta de repúdio

Hoje, familiares dos cinco tripulantes desaparecidos enviaram uma carta de repúdio endereçada ao ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, à Marinha do Brasil, e à Capitania dos Portos das lotações dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, cobrando ações específicas para abranger o estado do Espírito Santo para encontrar a embarcação e seus ocupantes.

empresário gaúcho Ricardo José Kirst - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Embarcação pertence ao empresário gaúcho Ricardo José Kirst, responsável pela expedição Imagem: Acervo pessoal.

“A família e amigos da tripulação da embarcação O Maestro vêm por meio desta carta, externar descontentamento à falta de empenho e maiores informações sobre os trabalhos de busca. Também, ao descaso dispensado pela Capitania dos Portos do Estado do Espírito Santo à colaboração nas buscas em seu território escusando-se e transferindo a responsabilidade para a lotação do Rio de Janeiro. (…) Mas, de acordo com os dias decorridos do desaparecimento e condições marítimas, a tripulação já deve ter entrado no território do Espírito Santo”, diz o texto.

A carta destaca ainda que os familiares dos tripulantes desaparecidos entraram em contato com a Capitania dos Portos do Espírito Santo para que fossem iniciadas buscas naquela área, mas “a mesma escusou-se da ação transferindo a responsabilidade para a lotação do Rio de Janeiro que vem demonstrando falta de empenho na operação e dispensando diariamente boletins informativos vagos e repetitivos.”

O texto destaca o uso da Lei 7.273 de 10 de dezembro de 1984, que dispõe sobre busca e salvamento de vida humana em perigo no mar; o acordo firmado na Convenção de Montego Bay, referente à Terceira Convenção das Nações Unidas sobre direito do Mar, realizada em 1982, o qual o Brasil é signatário da Convenção Internacional para a salvaguarda da vida humana no Mar (SOLAS) e da Convenção Internacional sobre busca e salvamentos marítimos (SAR). A carta continua reforçando que além dos termos citados existem “documentos que normatizam as ações de resgate a sobreviventes pelo anexo 12 da Convenção da Aviação Civil Internacional (Caci) e pelos manuais Iamsar; E ao Artigo nº 5 da nossa Constituição Federal que garante o direito à vida, na esperança que seus entes queridos venham a ser encontrados com vida”, finaliza.

Em nota enviada ao UOL nesta tarde, a Marinha do Brasil afirmou que o Comando do 1º Distrito Naval iniciou as buscas pelos cinco ocupantes da embarcação O Maestro no último domingo (31), “imediatamente após tomar conhecimento do seu suposto naufrágio, no litoral norte do Rio de Janeiro, nas proximidades do Farol de São Tomé”. A Marinha destacou ainda que entre os dias 30 e 31 de janeiro havia a possibilidade de ventos fortes na região em que a embarcação navegava.

“O Comando do 1º Distrito Naval ressalta que as buscas permanecem em curso pelo terceiro dia consecutivo, com emprego do Navio-Patrulha Macaé, uma aeronave Sea Hawk (SH-16) e uma aeronave P-95 da Força Aérea Brasileira, além de embarcações civis e aeronaves que trafegam naquela área. As buscas seguem padrões técnicos e consideram os efeitos de correntes de deriva e ventos observados na área”, explica o texto.

A Marinha afirmou que, apesar dos esforços realizados até agora, não foram encontrados indícios que pudessem contribuir para a localização da embarcação e dos ocupantes. “Com o propósito de obter mais informações que pudessem auxiliar nas buscas, o Salvamar Sueste, estrutura orgânica responsável por Operações de Busca e Salvamento (SAR) nesta região, emitiu aviso aos navegantes, dando ampla divulgação por rádio, com o objetivo de alertar e solicitar apoio a todas as embarcações nas áreas próximas”, diz.

Além disso, a Marinha explicou que foram emitidos avisos sobre o desaparecimento da lancha a empresas civis que operam regularmente helicópteros e navios na região.

O Comando do 1º Distrito Naval informou ainda que está em contato permanente com os familiares dos tripulantes, e que a Capitania dos Portos do Ceará recebeu representantes das famílias hoje, onde apresentou “todas as informações sobre o andamento das buscas e conheceram detalhes sobre os meios navais e aéreos nelas empregados.”

A reportagem questionou sobre a reclamação dos familiares dos tripulantes sobre a área rastreada está delimitada apenas no Rio de Janeiro, mas a Marinha não respondeu.

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