domingo 12 de julho de 2020
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sábado 6 de junho de 2020 às 18:14h

Lockdown na Índia: como a quarentena matou mais de 300 pessoas que não tinham o coronavírus

CURIOSIDADES, NOTÍCIAS


No 62º dia do lockdown do coronavírus na Índia, um menino tenta acordar sua mãe, deitada em uma plataforma de trem na estação de Muzaffarpur, no Estado de Bihar, no leste do país.

Os anúncios de chegada e partida de trens continuam soando nos alto-falantes da estação.

Sem entender que sua mãe está morta, o filho caminha até o corpo e puxa o cobertor colocado sobre ela, colocando-o sobre sua própria cabeça.

Dois dias depois deste episódio, essas imagens começaram a se difundir pelas mídias sociais.

A mulher morta foi identificada. Trata-se de Arbina Khatoon, uma trabalhadora de 23 anos na cidade de Ahmedabad. Ela estava viajando com seus dois filhos e alguns parentes em um trem especial para trabalhadores migrantes, em direção a sua cidade natal, Bihar, em uma jornada de 1,8 mil quilômetros.

“Ela morreu de forma repentina no trem”, disse seu cunhado Wazir à BBC Hindi, serviço em língua hindi da BBC.

Eles só tinham comido uma refeição desde o começo de sua jornada, ele conta, e alguns biscoitos e batatinhas.

“A água era quente demais para se beber”, conta Wazir.

Grafico com numero de mortes
Gráfico com numero de mortes

De acordo com a imprensa local, ela morreu de fome e desidratação, como muitos trabalhadores migrantes que faleceram durante o lockdown decretado em função do coronavírus. As autoridades locais, no entanto, disseram que ela morreu devido a algum outro problema de saúde pré-existente.

Arbina Khatoon é uma entre mais de 300 trabalhadores migrantes que morreram desde que o lockdown foi decretado na Índia, no dia 25 de março. As estatísticas vão até o dia 26 de maio. A maioria das vítimas estava tentando voltar para suas cidades natais após perderem seus empregos praticamente do dia para noite.

Caminhando sob o sol

A paisagem urbana da Índia está cheia de trabalhadores informais que dependem de salários pagos diariamente para sua sobrevivência. Eles são a base da economia das metrópoles — responsáveis por construir casas, cozinhar, servir e entregar comidas, cortar cabelos, fabricar automóveis, limpar banheiros e entregar jornais.

A maior parte dos 100 milhões de trabalhadores informais está tentando fugir da pobreza extrema. Muitos moram em péssimas condições e sonham com mobilidade social.

Mas milhares deles estão sem empregos ou qualquer outra forma de renda desde o começo do lockdown. Eles passaram a depender de doações de comida por parte do governo ou de instituições de caridade. Alguns agora precisam mendigar. Quem tentava voltar para casa não tinha acesso a trens ou ônibus. Rapidamente eles se transformaram praticamente em refugiados.

Homens, mulheres e crianças começaram suas jornadas a pé. A maioria dizia estar sem dinheiro e com medo de passar fome.

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