sábado 6 de março de 2021
Home / NOTÍCIAS / MPF denuncia família inteira em um esquema de corrupção do Porto de Itaguaí

MPF denuncia família inteira em um esquema de corrupção do Porto de Itaguaí

Auditores do Porto de Itaguaí foram denunciados pelo MPF. Foto: Reprodução/Portos brasil
terça-feira 4 de fevereiro de 2020 às 16:17h

Pais e esposas de três auditores também são réus

A denúncia do Ministério Público Federal que apontou um esquema de corrupção na alfândega do Porto do Itaguaí, com envolvimento de auditores da Receita Federal, mostrou a ação de quatro integrantes de uma mesma família. Outros dois auditores também envolveram seus pais e esposas.

Conforme a coluna Radar da revista Veja, ao todo 15 são os denunciados, sendo 7 auditores. Há acusações de corrupção passiva, corrupção ativa, facilitação de contrabando e prevaricação nas atividades na alfândega do porto, que fica em Sepetiba (RJ).

Segundo a denúncia, o esquema envolvia entrada irregular de produtos no país sem fiscalização ou em desacordo com as normas de regulamentação vigentes, inserções de informações falsas em notas fiscais relativas a valores e pesos, bem como a exigência abusiva de laudos técnicos para liberação de mercadoria, cobrando-se valores extorsivos, também sendo noticiada a cobranças de “taxas de urgência” e “caixinha” para pronta liberação das carga, que variavam de R$ 5 mil a R$ 30 mil.

A denúncia foi aceita pelo juiz Marcelo Bretas, da Justiça Federal do Rio.

A auditora Cláudia Abreu Cavalcante, que foi lotada no porto entre 2005 e 2017, quando se aposentou, não foi a única de sua família indiciada. O MPF identificou atuação de seu pai (Clóvis Cordeiro Cavalcante), de sua mãe (Marília Lúcia Abreu) e do filho (Pedro Cavalcante dos Santos). Uma sócia do filho (Maria Silvia Mayrink Teixeira) também está na denúncia.

Os procuradores concluíram que a família de Cláudia Abreu teve expressivo aumento patrimonial. Ela teria usado o filho para blindar o patrimônio e doou oito imóveis para ele em 2015, sendo cinco obtidos naquele ano. Duas lojas – Kathmandu Confecção de Roupas Importação e Exportação e Maui Bar (um quiosque na orla da Barra) – foram parte do esquema de lavagem de dinheiro.

No período analisado, de 2011 a 2016 – em que tiveram seus sigilos bancário e fiscal quebrados -,  ela e os familiares movimentaram em suas contas R$ 38 milhões no débito e R$ 38 milhões no crédito. Claudia, sozinha, movimentou R$ 9,9 milhões em débito e R$ 9,8 milhões em crédito. Seu filho teria movimentado R$ 6 milhões (débito) e R$5.9 milhões (crédito).

O advogado Gabriel Miranda Moreira dos Santos, que defende os cinco, disse que o processo está ainda numa fase muito preliminar e garante que irá provar a inocência de todos os citados durante o curso da ação.

“Durante a ação, vamos mostrar que não houve cometimento de crimes”, disse Gabriel Santos ao Radar, na semana passada.

O auditor Expedito Antônio Júnior também envolveu seus pais – Expedito Antônio e Noêmia Daflon Antônio. Ora inseria os pais como seus dependentes ora não. Nos seus bens suspeitos aparece uma moto de 1.000 cilindradas. Entre os negócios feitos com seus pais, está a compra de objetos de decoração e eletrodomésticos de alto valor.

Radar tentou ouvir Expedito e filhos, e os demais citados, por intermédio da Receita Federal no Rio, onde estão subordinados. Nominou todos. Mas o órgão respondeu que tomou suas atitudes e afastou os envolvidos dos cargos de chefia. Os outros citados também não foram localizados.

Seguem quem são os outros acusados: Alexandre Miguel (auditor), Renato Coelho (auditor), Washington Façanha Lotfi (auditor) e a esposa, Silvia de Oliveira Lotfi. Gilson Bruno Pinto (auditor) e a esposa Rosimeri Eirado Ribeiro; e Josafá Beserra Siqueira (auditor).

Veja também

Deputada Talita Oliveira reivindica obras em rodovias federais e estaduais

A construção de uma rodovia ligando a BR-116 à BR-101, na Bahia, foi motivo de …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!