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sábado 24 de outubro de 2020 às 09:15h

O que dizem os candidatos militares sobre a violência policial em Salvador

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“Sou uma mulher, negra, e mãe de um filho negro de 19 anos e, toda vez que ele sai de perto de mim, fico angustiada”.

Segundo o UOL, essa foi a resposta dada a esta coluna do portal pela major Denice Santiago, candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) à Prefeitura de Salvador, sobre os números apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que mostram que 74,4% das pessoas assassinadas no Brasil em 2019 eram negros e 51,6% eram jovens de até 29 anos.

Em relação aos homicídios ocorridos em intervenções policiais, o número de negros entre os assassinados sobe para 79,1%, e 74,3% eram jovens. Ou seja, de cada 10 mortos pela Polícia Militar em 2019 no Brasil, 8 eram jovens negros.

O relatório apresentado pelo FBSP levou em conta boletins de ocorrência fornecidos por 23 estados brasileiros. Ao todo, 6.357 pessoas foram mortas por agentes do Estado em 2019. Um aumento de 2,9% em relação a 2018.

A major Denice se diz completamente a favor da responsabilização de quem comete erros, de quem escolhe o caminho da violência em detrimento da técnica. “Não compactuo com erros desse tipo”, diz.

Ela defende uma atuação municipal da Segurança Pública articulada com os demais setores governamentais e com as comunidades: “Uma cidade que cuida da juventude e acredita na sua gente também é política de segurança. Isto é estabelecer uma segurança pública de direitos”, completa.

Olho nos traficantes

Outro candidato militar à Prefeitura de Salvador, o sargento Isidório, do Avante, aponta o o tráfico de drogas como principal fator de violência na cidade e no Brasil.

“Sabemos que os governos com suas polícias, lamentavelmente, estão perdendo a guerra para o tráfico de drogas. O que assistimos é à morte de jovens negros, sejam traficantes, usuários, inocentes e, lamentavelmente, policiais também negros. Vale a pena lembrar que a nossa polícia também é negra”, afirma.

O candidato diz que, investido da função espiritual de pastor evangélico, vai “buscar todos os meios possíveis. Se necessário, com minha autoridade espiritual dada por Deus, olhar nos olhos de qualquer traficante, e dizer-lhe que é hora de pôr fim em tanto derramamento de sangue”.

À frente da Fundação Doutor Jesus, que acolhe dependentes químicos, Isidório ganhou notoriedade por posicionamentos polêmicos, como o fato de se definir como um “ex-gay” e de se autointitular doido. O slogan da campanha inclusive é “Doido por Salvador, maluco pela Bahia”.

Isidório foi o deputado federal que recebeu mais votos na Bahia em 2018 e o terceiro mais votado na eleição para prefeito da cidade em 2016.

Com a Bíblia em uma mão e uma réplica de botijão de gás na outra, o pastor conquistou mais de 323 mil votos para a Câmara Federal e fez do filho, João Isidório, o deputado estadual mais votado.

Violência policia na Bahia

A aposta petista em candidatos que usam farda se confronta com os números da violência policial na Bahia. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revelam que o número já elevado de homicídios, resultantes de operações policiais, aumentou nos seis primeiros meses de pandemia.

Na Bahia, que registrou crescimento de 41,8%, morreram 512 pessoas em decorrência da ação de policiais civis ou militares.

Outro estudo, realizado entre junho de 2019 e maio deste ano, pela Rede de Observatórios da Segurança, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), coloca a Bahia como o segundo estado que mais registrou mortes em operações policiais, superado apenas pelo Rio de Janeiro.

A violência dessas operações, que tem como alvo mais comum jovens negros, também vitima os agentes policiais. Para cada policial assassinado no Brasil em 2019, 37 pessoas foram mortas por forças do Estado, de acordo com o anuário 2019 do FBSP.

O abuso de autoridade e a violência das operações nas periferias da cidade precisam ser debatidos com profundidade no pleito eleitoral, especialmente por aqueles que conhecem a instituição por dentro.

São fatos cotidianos amplamente denunciados que contribuem para o genocídio negro em curso no país e que não podem continuar sendo considerados “casos isolados”, como tem sido tratado até aqui pelo governo da Bahia.

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