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domingo 11 de abril de 2021 às 13:47h

Porque a combinação da Covid-19 com a obesidade é tão fatal?

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A pandemia de Covid-19 tornou ainda mais urgente tratar e prevenir a obesidade. Os obesos correm 48% mais de risco de morrer do que as outras pessoas se forem infetados com o novo coronavírus.

Essa foi uma das conclusões preocupantes a que chegou a análise de 75 estudos realizados em vários países, publicada na revista Obesity Review, no final de agosto. “É um aumento de cerca de 50 por cento, um número muito alto e assustador. Todos os dados são, aliás, muito mais altos do que eu esperava”, admitiu na época, ao The Guardian, o autor principal da investigação, Barry Popkin, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

A mesma análise concluiu que estes doentes, com um índice de massa corporal superior a 30 (o IMC é a relação entre peso e altura), correm um risco aumentado (em 113%) de acabar numa cama de hospital. E a probabilidade de irem parar aos cuidados intensivos é de mais 74%.

Por conta disso, surgiram vozes defendendo a prioridade na administração da vacina contra a Covid-19. Segundo um estudo publicado em fevereiro, na revista PNAS, os obesos serão “supertransmissores”. Isto porque tanto eles como os idosos têm uma maior probabilidade de respirar de forma pesada e expelir grandes quantidades de partículas infeciosas, concluíram pesquisadores do MIT, do Hospital Geral de Massachusetts e das universidades de Tulane e de Harvard, nos Estados Unidos.

A questão da vacinação voltou a ser tema no último fim de semana de fevereiro, quando se soube que a vacina da Pfizer/BioNTech pode ser menos eficaz em obesos. Numa pesquisa liderada pelo virologista italiano Aldo Venuti, do Istituti Fisioterapici Ospitalieri, em Roma, descobriu-se que 248 profissionais de saúde com obesidade produziram cerca de metade da quantidade de anticorpos em resposta a uma segunda dose dessa vacina, em comparação com pessoas saudáveis.

A obesidade é uma doença crônica e complexa, que está associada a mais de 200 outras doenças e problemas de saúde. Um obeso tem uma maior probabilidade de sofrer de diabetes e de hipertensão, uma maior disfunção pulmonar por causa da gordura abdominal e um maior risco de doença hepática e doença renal – tudo comorbilidades que o tornam mais vulnerável no caso de se infetar com o novo coronavírus.

Hoje, está cientificamente provado que as causas da obesidade incluem fatores genéticos e que a hereditariedade é responsável por 70% a 80% do IMC. Só depois vêm o sedentarismo, as dietas desequilibradas, a educação, o nível de rendimento (os alimentos menos saudáveis são mais baratos), o acesso a cuidados de saúde e os interesses comerciais (por exemplo, uma maior disponibilidade de alimentos processados).

Um tratamento que está se destacando é o semaglutido, uma versão sintética de uma hormona que atua suprimindo os centros de apetite no cérebro. No final de fevereiro, pesquisadores da Universidade Northwestern, em Chicago, nos Estados Unidos, apresentaram resultados “significativos” de um ensaio em que foi administrado semaglutido a 611 adultos com excesso de peso ou obesidade. Um tratamento de 68 semanas com semaglutido subcutâneo uma vez por semana versus placebo, combinado com terapia comportamental intensiva e uma dieta de baixas calorias nas oito semanas iniciais, resultou em reduções em peso corporal de 16% versus 5,7%, respetivamente.

Na Europa ja exitse três fármacos que tratam a obesidade. O primeiro a entrar no foi o orlistat, que impede a absorção de 30% da gordura da dieta e já demonstrou ser eficaz na redução do peso, do perfil lipídico e da gordura visceral, além de reduzir a progressão da diabetes.

Depois, chegou o liraglutido 3 mg, que reduz o apetite, aumenta a saciedade e atua ao nível do tubo gastrointestinal, sendo eficaz também na redução do perfil tensional e da apneia do sono, e podendo levar à regressão da diabetes.

Por fim, existe a associação fixa naltrexona/bupropiom, que também é eficaz na redução do peso, do perfil lipídico e da gordura visceral, e, tal como o liraglutido, reduz as compulsões alimentares. O mais urgente, mas não o mais importante. À cabeça de quem luta contra a obesidade está sempre acabar com a ideia errada e estereotipada de que “só é gordo quem quer”.

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