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segunda-feira 25 de janeiro de 2021 às 16:28h

Primeiro-ministro da Itália renunciará nesta terça para tentar formar novo governo

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Pressionado por seus aliados, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, convocou uma reunião do Conselho de Ministro para esta terça-feira (26), para comunicar sua decisão de renunciar. Em seguida, ele deve visitar o presidente da República, Sergio Mattarella, para oficializar sua renúncia, dando início a um novo capítulo da crise política de seu país. Seu objetivo segundo a Reuters é receber novamente o encargo de formar um terceiro governo, mas para isso terá que conseguir o apoio de um grupo grande de parlamentares que irão substituir o Itália Viva, do ex-premier Matteo Renzi, que deixou a coalizão de governo há duas semanas.

Apesar do voto de confiança que recebeu do Parlamento italiano para continuar governando após perder a maioria absoluta com a saída do Itália Viva, o primeiro-ministro não alcançou resultados necessários para sair da crise governamental, unindo um grupo de apoio para substituir a sigla de Renzi.

Ao longo desta segunda-feira, ele então se convenceu, ajudado pela opinião quase unânime de seus sócios na coalizão, de que a única maneira é a renúncia para tentar formar um terceiro governo sob seu próprio comando. Caso contrário, na quarta-feira, ele enfrentaria uma votação-chave no Senado que poderia destituí-lo permanentemente do poder e abrir uma crise fora de controle que poderia até levar a uma eleição antecipada.

— Temos que encontrar uma solução em 48 horas — disse o chanceler Luigi Di Maio em entrevista concedida no domingo.

Mais cedo, Conte recebeu ligações da maioria de seus aliadoS, e o pânico começou a se espalhar pelos corredores do Palácio Chigi, a sede do governo italiano, em Roma.

— A pressão é máxima — disseram pessoas do entorno do premier.

A renúncia de Conte, que tentaria receber de Mattarella a ordem de reconstituição do governo já é uma reivindicação de seus aliados e dos parlamentares que supostamente o apoiariam no futuro. Mas também foi o pedido esquecido do líder do Itália Viva, Matteo Renzi, no início da crise. A solução seria formar do zero um novo Executivo — o terceiro em três anos de legislatura — que permitiria aos novos sócios se unir e chegar a um pacto legislativo.

— Ele não tem números para superá-la se não concordar com esta operação — admitem fontes do Partido Democrata (PD), integrante da coalizão. — A melhor coisa agora é abrir a crise formal [renunciando].

O problema é que Conte não acredita que, no trânsito entre um governo e outro, outro nome apareça para substituí-lo. É por isso que ele insistiu em se agarrar à cadeira no Palácio de Chigi. A realidade, de fato, o beneficia.

Se Conte ainda é primeiro-ministro na tarde desta segunda-feira, é porque não há um nome alternativo claro. A hipótese de substituí-lo por Di Maio (Movimento 5 Estrelas), ou pelo ministro da Cultura, o social-democrata Dario Franceschini, não é suficientemente madura. Ninguém quer liderar um Executivo agora que só servirá para chegar a janeiro de 2022, quando o próximo presidente da República for eleito, e conter o avanço da extrema direita. Então, provavelmente, novas eleições deverão ser convocadas.

— Conte é o ponto de equilíbrio mais avançado —  disse na manhã desta segunda-feira o líder do PD, Nicola Zingarettina, tecendo um argumento político que é mais sustentável do que a mera sobrevivência.

A realidade é que o primeiro-ministro é o único capaz de manter juntos o volátil Movimento 5 Estrelas — em meio a brigas internas — e um nome que não desagrada o mundo social-democrata.

O grupo de desertores que o palácio de Chigi teria conseguido reunir prometendo vários cargos e subsistência nas suas cadeiras — nomes saídos do Forza Itália, do grupo misto e, talvez, também do Itália Viva — quer que a crise se formalize para adquirir visibilidade e dignidade suficientes de um novo grupo. Mas Conte exige certas garantias de que será escolhido para chefiar um terceiro governo, caso renuncie. Algo dfícil se Renzi continuar no meio da disputa.

O florentino, profundamente em desacordo com o primeiro-ministro, continua pensando que Conte pode ser facilmente substituído. Se dele depende a formação de um terceiro Executivo, pressionará para despejar definitivamente o primeiro-ministro e seu ambiente de confiança em Roma. Alguns parlamentares do Itália Viva, entretanto, juraram lealdade a Renzi em troca de não trazer o país de volta ao caos se surgir a oportunidade de formar um novo governo e emergir da crise em que se encontra.

A hipótese de um governo de unidade nacional só está sendo defendida agora pelo Forza Itália, do ex-premier Silvio Berlusconi. Sempre de olho em suas empresas, Berlusconi acredita que isso traria mais estabilidade ao país. Mas é difícil. Os demais partidos da oposição (Liga e Fratelli d’Itália) preferem que as eleições sejam convocadas o mais rapidamente possível, como recordou domingo o líder da Liga, Matteo Salvini.

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