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segunda-feira 22 de fevereiro de 2021 às 15:08h

Dezenas de hospitais da Bahia estão sem leitos de UTI

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Um dos maiores dramas que pode viver um paciente infectado pela covid-19 é ter que ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ou, pior, segundo o jornal Correio precisar de uma vaga dedicada a casos mais críticos e não encontrar. Neste último domingo (21), na Bahia, 890 pessoas viviam o drama de estar na UTI, terceiro dia seguido de recorde. Às 16h, a taxa de ocupação chegou a 80%. Já há hospitais sem nenhuma vaga e, antes que o quadro fique ainda pior, o governador Rui Costa (PT) ampliou o decreto de toque de recolher.

A partir de hoje, 381 cidades baianas terão que obedecer a um decreto mais rígido: a circulação fica proibida das 20h às 5h – antes, a proibição começava às 22h. Além disso, 38 municípios foram incluídos e apenas a região Oeste continua fora.

Desde o início da pandemia, em março de 2020, a Bahia nunca teve tantas pessoas em estado grave com a covid-19. O terceiro dia seguido de alta mostra ainda que o número de internações está num ritmo de crescimento.

Atualmente, a Bahia tem 53 hospitais com leitos disponíveis para tratamento da covid-19, sendo 45 com leitos de UTI. Desses, 31 tinham taxa de ocupação de 80% ou mais e nove hospitais estavam completamente lotados até as 16h deste domingo, segundo dados do painel epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

Para especialistas ouvidos pelo CORREIO, a ocupação de 80% é um indicativo de que a Bahia pode, sim, entrar em colapso. É o que afirma a médica imunologista Fernanda Grassi, pesquisadora da Fiocruz e integrante da Rede CoVida. Para ela, as atuais condições sanitárias, o desrespeito às medidas de isolamento e os recorrentes relatos e denúncias de aglomeração acendem um forte sinal de alerta.

Ela acredita que o toque de recolher é uma medida válida, mas são necessárias ações mais enérgicas para controlar o fluxo de pessoas nas ruas e, por consequência, reduzir proliferação do coronavírus.

“Entendemos a dificuldade de tomar uma medida tão drástica, mas creio que, neste cenário, o lockdown por 15 dias é a medida mais correta a ser tomada. Os números assustam, vemos casos de reinfecção e novas variantes que fazem o vírus se espalhar ainda mais rápido. Sem controlar a circulação é muito difícil chegar a melhorias”, diz.

Diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o médico Antônio Bandeira afirma que é necessário entender que as curvas de crescimento no número de casos e ocupação de leitos refletem o nosso comportamento. “Se não adotarmos as medidas necessárias e básicas como o uso correto da máscara, distanciamento social e higiene das mãos, o sistema de saúde não vai aguentar”, aponta.

O lockdown também já vinha sendo recomendado por outros especialistas, entre eles o neurocientista Miguel Nicolelis, ex-coordenador do Comitê Científico do Consórcio Nordeste. No sábado (20), ele deixou a coordenação do comitê devido à sua insatisfação pela não adoção, por parte dos governos, das orientações passadas pelo grupo.

“Tudo isso não foi por falta de aviso. Dia 4 de janeiro, eu publiquei um tweet dizendo que ou o país entrava em lockdown ou a situação ia ficar grave desse jeito. O Nordeste estava se saído bem, mas agora vê uma subida de casos nessa segunda onda. E as medidas paliativas não ajudam como deveriam”, disse Nicolelis em sua última entrevista ao CORREIO como coordenador do Comitê, na última quinta-feira (18).

Ele se referia justamente ao toque de recolher quando falava de medida paliativa. “Onde o toque de recolher foi testado, provou não ser eficaz. Na Europa, todos os lugares que tiveram evoluíram para um lockdown logo depois. Isso é uma questão de dias. Essas medidas paliativas não têm efeito”, falou.

Hospitais lotados

Em alguns pontos do estado, a situação é mais crítica. A região Sul possui quatro unidades com 100% de ocupação na UTI: os hospitais Vida Memorial, de Ilhéus, Geral Prado Valadares, de Jequié, Hospital de Base Luis Eduardo Magalhães e Calixto Midlej Filho, ambos de Itabuna, os únicos com leitos de UTI na cidade.

No total, a região tem 94% de ocupação nos leitos de UTI. O CORREIO procurou as prefeituras de Ilhéus e Itabuna, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. Já a Sesab informou que os pacientes da região podem ser transferidos para outras cidades baianas, devido ao caráter universal do SUS.

Outra região que está com 94% de taxa de ocupação é a Sudoeste, que possui 70 leitos de UTI, todos em Vitória da Conquista. Desses, 66 estão ocupados. O Hospital São Vicente De Paulo está completamente lotado. Há apenas uma vaga de UTI no Hospital de Clínica de Conquista e outras três no Hospital Geral.

Em nota, a Prefeitura de Vitória da Conquista informou que 68,6% dos pacientes internados na cidade vêm de outros municípios, inclusive das regiões Oeste, Extremo Sul, Sul da Bahia, além de três doentes que são de outros estados.

“Sabemos que a saúde é para todos, é universal. Sabemos que o SUS é para todos, e a regulação é feita pelo Estado. Se tem alguém precisando de leitos, vai para o lugar que tem leitos. O que a gente não está conseguindo entender e admitir é o motivo de na região Oeste existirem vagas e mesmo assim estão sendo reguladas pessoas para Vitória da Conquista”, desabafa a prefeita em exercício Sheila Lemos. O prefeito eleito Herzem Gusmão (MDB) está afastado da gestão por causa da covid-19.

Leitos

Segundo o governador Rui Costa, a Bahia já reabriu praticamente todos os leitos possíveis. Além disso, foram iniciados os protocolos para reabrir os leitos no hospital de campanha da Arena Fonte Nova (veja abaixo).

“Nós não podemos abrir leitos infinitamente. Precisamos frear o avanço da doença”, frisou.

Em nota, a Sesab informou que, além da Fonte Nova, outros leitos serão abertos nesta semana. “O elevado número de casos graves tem pressionado a rede assistencial tanto pública quanto privada. A população tem que entender que a abertura de novos leitos de UTI não é uma garantia de sobrevivência”, diz nota da Sesab.

Outra cidade que tem enfrentado altas taxas de ocupação nos leitos de UTI dos seus hospitais é Salvador. Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que a atual estrutura de leitos de UTI montada pelo município para acolhimento exclusivo de pacientes covid-19 é superior ao instalado durante a primeira onda da pandemia na cidade.

“A expectativa da gestão é implantar 20 novos leitos nos próximos 30 dias para assegurar a assistências aos pacientes. Entretanto, a pasta reitera que os esforços da Prefeitura para ampliação de uma rede assistencial temporária para o coronavírus é finita, ou seja, o município tem um limite orçamentário, de espaço físico e de recursos humanos para atuar na linha de frente da pandemia”, diz nota.

Para as autoridades de saúde, é necessário que as pessoas estejam em unidade na manutenção dos protocolos de isolamento social, higienização e uso da máscara para evitar que a rede pública entre num colapso. Não dá para apostar na chegada da vacina como forma de evitar o caso. “Ela é uma esperança, porém o governo federal não tem um cronograma de entregas em quantitativo suficiente para imunizar toda a população da Bahia e do Brasil rapidamente. No ritmo atual, com as vacinas sendo entregues pelo Ministério da Saúde a conta-gotas, seria necessários quatro anos para imunizar toda a população brasileira”, completou a Sesab.

Estado inicia trâmites para reabrir hospital da Fonte Nova
Com a ocupação de leitos de UTI cada vez mais alta, o governo do Estado iniciou os trâmites para reabertura do hospital de campanha da Arena Fonte Nova. Na última sexta-feira (19), o governador Rui Costa (PT) já havia falado sobre a possibilidade de reabrir a unidade e também tinha anunciado que abriria mais 20 leitos de UTI no estado.

O hospital de campanha da Fonte Nova foi inaugurado no mês de junho do ano passado pelo governo do estado, com 70 leitos. O número foi crescendo gradativamente e a unidade chegou a ter 240 leitos em funcionamento, sendo 100 deles de terapia intensiva (UTI).

Em 16 de outubro de 2020, a unidade foi desativada. O último paciente internado lá teve ata no dia 14 de outubro. Agora, com mais de dez hospitais atingindo 100% de sua ocupação em diversos municípios, o estado inicia o processo de reabertura da unidade de campanha.

O governo da Bahia tem, atualmente, 1.103 leitos de UTI adulto e 36 de UTI pediátrica, mas mais de 80% deles estão ocupados.

“No dia de hoje [domingo], nós estamos com mais leitos de UTI funcionando do que no pico da pandemia, quando tínhamos todos os leitos disponíveis funcionando. Hoje já temos mais leitos do que tínhamos naquela época, em julho, e infelizmente a doença continua num ritmo muito acelerado”, disse o governador Rui Costa.

A tentativa de reduzir a contaminação também passa pela ampliação do número de cidades sob o decreto do toque de recolher. Neste domingo, mais 38 municípios entraram na lista, totalizando 381 cidades em toque de recolher a partir de hoje. Os municípios da região de Jacobina e Irecê, que estavam de fora, entraram no decreto. Os da região Oeste permanecem de fora, por enquanto.

A Prefeitura de Salvador também estuda a possibilidade de instalar uma mini-tenda no Wet’n Wild, onde também foi montado um hospital de campanha no ano passado.

Foram duas tendas – a primeira funcionando a partir de maio e a segunda a partir de julho do ano passado, somando 70 leitos de UTI e 120 de enfermaria. As duas tendas foram desativadas em outubro e novembro do ano passado, respectivamente.

De acordo com informações da assessoria de comunicação da prefeitura, Salvador tem hoje praticamente o mesmo número de leitos disponibilizados no início da pandemia. A diferença é que agora eles estão em hospitais, ou seja, foram contratualizados pela prefeitura.

Até as 15h deste domingo, eram 396 leitos de UTI adulto e 27 de UTI pediátrica, também com mais de 80% de ocupação, segundo dados do site Transparência Covid-19, da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS).

Shoppings ainda vão definir horários; veja regras
O atendimento presencial em bares, restaurantes, lojas de conveniência e demais estabelecimentos similares que comercializem bebidas alcóolicas será encerrado às 18h. Apenas o delivery de alimentos fica permitido até as 23h. Já os transportes metropolitanos (ônibus, metrô, ferryboat e lanchinhas) podem funcionar até as 20h30.

A Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob) informou que fará uma reunião hoje para definir o esquema de transporte.

Conforme o decreto, entre 20h e 5h é permitido o deslocamento somente para serviços de saúde ou farmácia, compra de medicamentos ou situações em que fique comprovada a urgência. Não são alcançados pelo decreto os serviços de limpeza pública e manutenção urbana; delivery de farmácia e medicamentos; e as atividades profissionais de transporte privado de passageiros.

O jornal Correio buscou os shoppings e estabelecimentos de Salvador e Região Metropolitana para entender como fica o seu funcionamento com a atualização do decreto. Todos afirmaram que só vão divulgar o novo esquema hoje, a única exceção foi o Boulevard Camaçari, que funcionará das 10h às 19h. O SAC e os Correios abrem mais cedo, às 9h. A academia, às 6h.

Aqueles que descumprirem a medida podem ser autuados nos artigos 268 (infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa) e 330 (desobedecer a ordem legal de funcionário público) do Código Penal. Denúncias podem ser feitas pelo 190, (71) 3235-0000 ou 181 (interior).

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