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domingo 18 de outubro de 2020 às 07:15h

‘Eternos parlamentares’: Conheça os vereadores com mais de 40 anos de mandato que tentam reeleição pelo país

CURIOSIDADES, NOTÍCIAS


Eles foram eleitos por cédulas de papel e são mais de 2.000 políticos que venceram as últimas cinco eleições nos Legislativos municipais

Quando Nirdo Artur Luz, o Pitanta, 66 anos, disputou sua primeira eleição para a Câmara Municipal de Palhoça (22 km de Florianópolis), Lula era um um líder sindical em ascensão, Jair Bolsonaro estava na Academia Militar das Agulhas Negras e o presidente da República era Ernesto Geisel.

O ano era 1976, Pitanta tinha 19 anos e acabara de se filiar à Arena, partido de sustentação ao governo durante a ditadura militar. “Quem me elegeu pela primeira vez foi a minha mãe. Ela tinha amizade com políticos e me fez o vereador mais votado de Palhoça”, lembra.

Desde então, Pitanta disputou e venceu todas as eleições para vereador na cidade, cumpriu 11 mandatos consecutivos e neste ano disputa a reeleição. Ele, assim como outros políticos espalhados pelo país, faz parte do time dos “eternos vereadores”, que se reelegem consecutivamente.

O vereador Nirdo Artur Luz disputa eleição para vereador em Palhoça (SC) pela 11º vez e soma 44 anos em mandatos na Câmara Municipal; da esquerda para a direita, imagens dele nos anos 1976, 1982, 1986, 2004 —e, na parte de baixo, de 2008, 2012, 2016 e 2020
O vereador Nirdo Artur Luz disputa eleição para vereador em Palhoça (SC) pela 11º vez e soma 44 anos em mandatos na Câmara Municipal; da esquerda para a direita, imagens dele nos anos 1976, 1982, 1986, 2004 —e, na parte de baixo, de 2008, 2012, 2016 e 2020 – Arquivo Pessoal

O jornal Folha de S. Paulo publicou um levantamento dos vereadores que mais se reelegeram nas Câmaras Municipais do país entre 2000 e 2020, período do qual o Tribunal Superior Eleitoral possui dados digitalizados e confiáveis.

Desde então, o país elegeu 178.085 vereadores, dos quais 2.129, ou 1,2% do total, venceram as últimas cinco eleições para as Câmaras Municipais. Nas capitais, 32 vereadores permanecem em mandato há pelo menos 20 anos e são considerados os decanos das Casas Legislativas.

O mais famoso deles é Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, que se elegeu vereador no Rio de Janeiro pela primeira vez em 2000, quando tinha 17 anos.

Naquela eleição, ele enfrentou a própria mãe, Rogéria Bolsonaro, que havia se separado do já deputado federal Bolsonaro e havia cumprido mandatos na Câmara por duas legislaturas. Nesta eleição, Carlos e a mãe serão candidatos à vereança mais uma vez.

Na cidade de São Paulo, são sete vereadores com pelo menos cinco mandatos. Entre eles estão Milton Leite (DEM) e Arselino Tatto (PT), que renovam mandatos desde 1996 e já foram presidentes da Câmara Municipal.

Em Salvador e São Luís, os decanos das Câmaras têm em comum o fato de serem fiéis governistas, independentemente do prefeito eleito.

Vereador desde 1992 na capital baiana, Alfredo Mangueira (MDB), 71 anos, apoiou todos os prefeitos nos últimos 28 anos, incluindo grupos políticos antagônicos como o de Lídice da Mata (1993-1996) e o de ACM Neto (2013-2020).

“Coincidentemente, os partidos aos quais eu estava filiado sempre estavam na base aliada do prefeito. Sempre votei a favor dos projetos da prefeitura”, afirma o vereador.

Com uma base eleitoral forte na Liberdade, um dos bairros com maior concentração de negros da capital baiana, Mangueira chegou a ser presidente da Câmara em 2011, mas abdicou do cargo depois de menos de uma semana.

Na época, reportagens do jornal A Tarde revelaram as ligações do vereador com o jogo do bicho. Em sua defesa, ele afirmou ao mesmo jornal que estava afastado da contravenção havia mais de dez anos.

Mangueira diz que deixou a presidência da Câmara porque não se adaptou: “Quando sentei na cadeira, achei que não era meu ritmo”. Este ano, ele disputa sua oitava eleição consecutiva para vereador. E não pensa em parar: “Enquanto tiver saúde, sigo na política”.

Em São Luís, o decano é o vereador Astro de Ogum, que cumpre mandatos consecutivos desde 2000. Ele tem trajetória partidária peculiar: começou no PDS, partido de sustentação à ditadura militar, passou por outras seis legendas até se filiar ao PC do B, partido do governador do Maranhão, Flávio Dino.

Nas cidades menores, há Câmaras Municipais com pouca renovação nas últimas duas décadas. É o caso das cidades de Maravilha (MG) e Jataúba (PE), que reelegeram quatro vereadores em todas as eleições desde 2000. Na cidade mineira são nove vagas na Câmara, na pernambucana são 11.

A Câmara que teve menor renovação, contudo, foi a de Wall Ferraz (PI): nada menos que cinco dos nove vereadores estão no cargo desde 2000, renovando os mandatos em quatro eleições seguidas.

OS VEREADORES MAIS LONGEVOS DO PAÍS

Fontes: TSE e União de Vereadores do Brasil

  • Nildo Artur Luz, o Pitanta (PSD)

    vereador de Palhoça (SC) há 44 anos

  • Orvino Coelho de Ávila (PSD)

    vereador de São José (SC) há 44 anos

  • 2.129

    vereadores venceram as últimas cinco eleições para as Câmaras Municipais

  • 32

    vereadores permanecem em seus mandatos há pelo menos 20 nas capitais

Aliados do prefeito Danilo Martins (PSB), os vereadores Chichico, Sebastião Pimenta, Pedro Reis e Zé de Levi, todos também do PSB, tentam mais uma vez um novo mandato. Já Mariinha de Zé João (PTB), que representava a oposição, não vai concorrer a um novo mandato.
Outro candidato que vai encerrar uma longeva sequência de mandatos como vereador é Orvino Coelho de Ávila (PSD), 65, que está na Câmara Municipal de São José (17 km de Florianópolis) desde 1976.
Ele e o vereador Pitanta, da cidade vizinha de Palhoça (SC), têm 44 anos de mandatos consecutivos e são os vereadores mais longevos do país, segundo levantamento da UVB (União de
Vereadores do Brasil).
Orvino, contudo, vai tentar um voo mais alto pela primeira vez: será candidato à Prefeitura de São José. Advogado e procurador de carreira, ele afirma que nas quatro últimas décadas encarou
o exercício da vereança como uma missão.
“Ser vereador não é profissão, é missão de vida. Sou muito grato à cidade por ter me dado dez mandatos consecutivos”, diz Orvino, lembrando que a eleição para vereador é, dentre todas, a mais difícil: “A concorrência é enorme”.
Ele afirma que não disputou a prefeitura antes por falta de oportunidade, que demorou, mas apareceu. “Não podia encerrar a vida pública sem disputar a prefeitura. Acho que devia isso à cidade.”

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