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quinta-feira 16 de janeiro de 2020 às 18:35h

Google se junta a Apple e Microsoft e atinge valor de US$ 1 trilhão

NEGÓCIOS, NOTÍCIAS


Dona do Google torna-se a quarta empresa americana a atingir valor de mercado trilionário, assim como Apple, Microsoft e Amazon

A Alphabet, companhia-mãe do Google, atingiu pela primeira vez o valor de mercado de 1 trilhão de dólares. A empresa chegou ao patamar trilionário na bolsa no fim da tarde desta quinta-feira 16, em um movimento já esperado pelo mercado no início da semana.A ação fechou em 1,451,70, alta de 0,87%. Foi o suficiente para avaliar a empresa em 1.001 trilhão de dólares. No último ano, os papéis da companhia vinham em uma crescente e acumularam alta de mais de 30%. Só no último mês, a empresa ganhou quase 1 bilhão em valor de mercado.Até agora, segundo publicou a revista Exame, as únicas empresas de capital aberto com valor trilionário eram as americanas Apple e Microsoft, de tecnologia, e a petroleira saudita Saudi Aramco. A varejista Amazon também chegou a bater 1 trilhão de dólares em 2018, mas caiu nos meses seguintes e hoje vale 928 bilhões de dólares — mas pode também voltar ao clube do trilhão em algum momento nos próximos meses.

A avaliação trilionária da Alphabet acontece também em um momento de transição na empresa. Em dezembro, saíram da presidência os fundadores Larry Page e Sergey Brin, de 46 anos e no comando há duas décadas. O atual presidente passou a ser o indiano Sundar Pichai, 47 anos, que comandava o Google desde 2016. Ao longo da carreira no Google, Pichai, que veio de família simples na Índia, passou por produtos de sucesso como o navegador Chrome, o pacote Drive, o Gmail e o navegador Android.

A expectativa dos investidores é que Pichai imprima ao Google uma visão mais pé no chão, em detrimento de apostas mais ousadas que os fundadores vinham fazendo. Com Page e Brin no comando, o Google apostou nos últimos anos em serviços como drones, carros autônomos e lentes inteligentes.

O objetivo era diversificar a empresa para se preparar para as tecnologias do futuro, mas os investimentos foram caros. Os novos negócios da Alphabet fecharam 2018, último ano com números completos, com prejuízo de 3,4 bilhões de dólares, ante um lucro de 36 bilhões de dólares do Google. Os resultados de 2019 serão revelados no balanço do quarto trimestre da empresa, a ser divulgado em fevereiro.

A era da tecnologia

A Apple foi a primeira das gigantes americanas a atingir o patamar trilionário, o que aconteceu pela primeira vez em 2018. Após idas e vindas, a empresa hoje vale cerca de 1,4 trilhão. A Microsoft, que atingiu 1 trilhão pela primeira vez em 2019, vale 1,3 trilhão.

As duas ficam atrás da Saudi Aramco, companhia mais valiosa do mundo e cuja abertura de capital na bolsa aconteceu no ano passado. A Saudi chegou a atingir 2 trilhões de dólares em valor de mercado nos primeiros dias de negociação na bolsa, e hoje vale pouco mais de 1,6 trilhão de dólares.

Na Alphabet, apesar dos méritos da empresa, com crescimento de dois dígitos no faturamento trimestre após trimestre, a alta nas ações reflete também um cenário global. Com juros baixos mundo afora e aplicações seguras gerando pouca rentabilidade, muito dinheiro destinado a capital de risco, tanto com investimento em startups quanto em grandes empresas na bolsa. As cinco maiores empresas dos Estados Unidos (Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet e Facebook) ganharam 1,8 trilhão em valor de mercado só no último ano.

Além do cenário econômico, esta também foi uma década em que as empresas de tecnologia reinaram. Esqueça montadoras ou grandes bancos: das cinco maiores empresas dos Estados Unidos, quatro têm o modelo de negócio baseado majoritariamente em tecnologia — com alguma exeção na Amazon, cujo negócio principal é o varejo.

É parte do mesmo movimento que fez os investimentos em capital de risco, que financiam startups, passarem de 36 bilhões de dólares, em 2009, para 287 bilhões no ano passado. Neste cenário, já são mais de 420 startups “unicórnios”, com valor de mercado acima de 1 bilhão de dólares, a maioria nos Estados Unidos e na China (dez dessas startups estão no Brasil).

Os investidores saem justamente em busca de quem serão os novos “Google”, valorizando a ponto de atingir valor de mercado trilionário.

Enquanto isso, pelo lado dessas gigantes de tecnologia, o desafio é continuar crescendo e se antecipando às tendências. Por isso, apesar de arriscada, a diversificação que fez a Alphabet investir nos últimos anos em tecnologias que parecem fora de seu core business, como carros autônomos, pode também ser importante para que a empresa sobreviva a um futuro que tende a ser cada vez mais desafiador.

Que o diga outra empresa do clube das trilionárias, a Microsoft: ao virar as costas aos smartphones no começo dos anos 2000, a empresa não conseguiu mais alcançar a Apple (dona dos iPhone e do sistema iOS) e o Android do Google. A Microsoft só conseguiu se recuperar após a saída do fundador Bill Gates e entrada do atual presidente, Satya Nadella, que vem fazendo a empresa lucrar com serviços em nuvem, jogos e programas por assinatura. A reestruturação da Microsoft sob seu comando, aliás, é parte do motivo pelo qual a empresa passou a valer 1 trilhão de dólares na bolsa.

Os desafios do Google

O Google foi fundado em 1998, na Califórnia, tendo como principal produto o buscador de mesmo nome que tinha como objetivo fazer um grande índice de páginas da internet.

Com o tempo, criou novos produtos e fez uma centena de aquisições, do aplicativo de GPS Waze à plataforma de vídeos YouTube. Longe de focar somente em seu buscador, o Google passou a fazer frente às concorrentes em uma série de segmentos: do Android que passou a brigar com iOS da Apple ao navegador Chrome (que ganhou espaço que outrora era do Internet Explorer, navegador padrão da Microsoft).

A empresa também foi bem-sucedida em optar por lançar um serviço em nuvem para fazer frente ao Pacote Office da Microsoft, o Google Drive, mais leve, gratuito e que não precisava ser instalado nos computadores. O Drive também foi vetor de uma nova frente do Google nos últimos anos, mais voltada a empresas, segmento historicamente dominado pela Microsoft.

Ao mesmo tempo, a empresa ainda concorre com nomes como o Facebook (dono também do Instagram e do WhatsApp) na busca por anúncios. Boa parte do faturamento da Alphabet ainda vem com venda de publicidade por meio do Google Ads, que posiciona anúncios tanto nos próprios produtos do Google quanto em sites de terceiros. Os anúncios respondem por mais de 90% do faturamento do Google.

Para os próximos anos, além de se antecipar às novas tecnologias, a Alphabet e outras empresas de tecnologia também vão enfrentar uma maior pressão de autoridades e órgãos reguladores quanto à proteção de dados pessoais. O modelo de publicidade de empresas como Google e Facebook é majoritariamente baseado em dados dos usuários, o que começa a ser questionado.

Assim, embora a Alphabet tenha sido a responsável por boa parte dos softwares online mais usados deste milênio, o desafio será equilibrar as apostas com a realidade e manter sua hegemonia nas próximas eras da internet — provando que vale mesmo 1 trilhão.

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