sexta-feira 7 de maio de 2021
Presidenciáveis assinam manifesto por democracia / Foto: Reprodução/Redes sociais
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domingo 11 de abril de 2021 às 07:17h

Grupo com seis presidenciáveis que ensaiam aliança é marcado por divergências e rusgas

NOTÍCIAS, POLÍTICA


Ciro, Doria, Huck, Mandetta, Amoêdo e Leite convergem no antipetismo e no antibolsonarismo, mas projeto eleitoral conjunto para 2022 ainda é cercado de dúvidas

Rusgas do passado, divergências ideológicas e partidárias e guerras de vaidades são entraves segundo o jornal Folha de S. Paulo, para alianças eleitorais no grupo de seis presidenciáveis que se uniram para lançar um manifesto pró-democracia e ensaiam uma aproximação para a corrida ao Planalto em 2022.

Diferenças à parte, Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Luciano Huck (sem partido), Luiz Henrique Mandetta (DEM), João Amoêdo (Novo) e Eduardo Leite (PSDB) convergem em um ponto: evitar que Jair Bolsonaro (sem partido) e Lula (PT), tidos pelo sexteto como radicais, polarizem o pleito.

No dia 31 de março, quando o golpe que instaurou a ditadura militar (1964-1985) completou 57 anos, os seis publicaram o Manifesto pela Consciência Democrática. Afirmaram, em recado indireto para Bolsonaro, que a democracia está ameaçada e conclamaram uma soma de forças para defendê-la.

Nos dias seguintes, o grupo de WhatsApp criado para a elaboração do texto, nomeado como Polo Democrático, acompanhou as repercussões, mas sem avançar em diálogos concretos sobre campanha. O marasmo foi quebrado pelas mensagens de feliz Páscoa e por um ou outro comentário.

Em público, o tom geral dos participantes é menos eufórico do que gostariam os entusiastas da formação da chamada terceira via. Eles tratam a organização do manifesto como um primeiro passo, mas reconhecem que uma evolução para a esfera eleitoral exigirá muitos diálogos e concessões

Afora o propalado respeito às regras democráticas, poucos traços ligam, por exemplo, dois nomes que estão nas pontas do sexteto: o liberal convicto Amoêdo, que votou em Bolsonaro no segundo turno de 2018, e o centro-esquerdista Ciro, que já foi ministro de Lula e hoje se opõe ao ex-presidente.

Políticos envolvidos direta ou indiretamente na iniciativa afirmaram à Folha que várias opções estão colocadas. Em um dos cenários, não necessariamente o grupo produziria uma candidatura única, mas os que se registrarem para a disputa fariam esforços para consolidar um pacto de não agressão.

Nessa situação hipotética, os presidenciáveis à margem da dicotomia Bolsonaro-Lula teriam como prioridade desidratar ambos e tentar cavar uma vaga no segundo turno. O escolhido pelos eleitores poderia contar, automaticamente, com o apoio dos demais.

“O manifesto foi importante como sinalização de que essas pessoas conversam e têm capacidade de se entenderem. Elas passaram por cima de suas divergências e convergiram”, diz à Folha Mandetta, ex-ministro da Saúde que foi o articulador do documento.

Ele, que deixou o governo em meio a discordâncias com Bolsonaro, já mantinha interlocução com Huck, Amoêdo e o ex-juiz Sergio Moro, que é cotado como presidenciável e foi convidado a endossar o texto, mas declinou alegando razões contratuais com a consultoria Alvarez & Marsal, para a qual trabalha.

Sobre o futuro do movimento, o ex-ministro responde: “Aí é um processo do tempo da política, não é do tempo da internet”. De acordo com ele, o caminho agora envolve conversas entre os partidos dos envolvidos e acompanhamento do quadro político.

“Estou certo de que 50% dos brasileiros não querem nem Lula nem Bolsonaro. Um dos pontos em comum [no grupo] é a análise de que, se fragmentar [as forças], você acaba ajudando os dois extremos”, afirma Mandetta, defendendo a construção de uma alternativa que “represente esperança, futuro”.

Com o retorno dos direitos políticos do ex-presidente Lula, o possível embate entre o petista e Bolsonaro nas próximas eleições deverá alterar o tabuleiro de presidenciáveis. Adriano Machado – Reuters

Se conseguir um consenso em torno de democracia foi fácil, o mesmo não se pode dizer das agendas programáticas. No caso do apresentador da TV Globo, a dificuldade é ainda maior, já que Huck não é filiado a partido, nunca atuou na área pública nem sequer confirma a intenção de se candidatar.

Antes de se darem as mãos, signatários do texto já protagonizaram embates públicos.

No quesito críticas, Ciro é talvez o recordista, com histórico de ataques desferidos contra praticamente todos os novos companheiros. Sua bronca com Doria foi parar nos tribunais. O ex-ministro já usou termos como “farsante” e “picareta completo” para se referir ao governador de São Paulo.

O empresário e ex-banqueiro Amoêdo, que, como o pedetista, concorreu na eleição de 2018, também virou alvo dele durante a campanha —e rebateu, falando que Ciro precisava “conhecer um pouco mais sobre economia”.

Já Mandetta e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, soam mais agregadores, sem tantas arestas internas. No caso do gaúcho, a aventura presidencial depende, antes de tudo, de uma solução no PSDB. Ele planeja disputar com Doria as prévias que escolherão o representante tucano na disputa.

O único que desfruta de situação confortável dentro de sua legenda é Ciro, hoje sem maiores óbices a seu nome.

A plataforma mínima que une o sexteto está fundamentada, basicamente, no antipetismo e no antibolsonarismo. À exceção de Ciro, todos são identificados na opinião pública como simpatizantes de Bolsonaro no segundo turno de 2018, embora hoje se declarem na oposição ao mandatário.

O caso mais emblemático é o de Doria, que se elegeu na onda da dobradinha BolsoDoria e rompeu com o presidente no ano seguinte, iniciando um antagonismo que se aprofundaria com as discordâncias nas medidas de combate à pandemia do novo coronavírus e a politização do tema das vacinas.

A receita desejável para atenuar a crise sanitária causada pelo vírus é outro ponto pacífico entre os subscreventes do manifesto. Todos pregam obediência às recomendações científicas, o que os coloca em campo oposto ao de Bolsonaro, que nega a gravidade da doença e sabota ações preventivas.

O impeachment do presidente é controverso —Ciro e Amoêdo são abertamente favoráveis.

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